POEMAS
ARMA PALAVRA

France Gripp

Um menino de onze anos empunha uma arma e atira.
Um policial empunha uma arma e atira
contra um menino.
Um pai e uma mãe empunham uma arma e atiram
contra meninos.
Muitos meninos empunham armas e atiram
contra pais, mães e outros meninos.
Mas
logo ali, meninos se atiram e se matam no mar Mediterrâneo
nos braços de seus pais.
Fogem do extremo terror e da morte.
A esperança de vida empurra seus botes e eles esperam
sociedade culta ocidental
sistema de crenças
empresa de poder
político que se importe
polícia que proteja
pai e mãe de outros meninos e meninas que se abracem
assim como eles.
Mas
um pai e uma mãe empunham palavras e atiram
contra meninos.
Um político vil empunha palavras e atira
contra meninos.
Uma empresa de poder empunha palavras e atira
contra meninos.
Um sistema de crenças empunha palavras e atira
contra meninos.
Uma sociedade culta empunha palavras e atira
contra meninos.
Palavras esburacam meninos todos os dias.
Antes das armas, depois das armas e junto com as armas.
Por toda parte eles são vistos trucidados
se afogando
no mar de brutalidade e indiferença.

Fonte: Revista Odisséia Literária N º 1 , v o l . 1 , 2 0 1 9

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