France Gripp

A palavra que falo

Comecei a ler o mundo descobrindo os sons do piano e as mangueiras, generosas e muito verdes, a contrastar bonito no azul fortíssimo da cidade natal ...
A obra

Um poema dentro de mim feito e inacabado esperando a hora de saltar

Poesia

A palavra que falo rua calçada de pedras entrevãos por onde dilato balões azuis soprados da alma. Palavra.

Palavra, Eu que me Destilo, 1994.

Literatura

Uma carta silenciosa acaba de chegar. Uma carta muda. Escrita em duas vezes vinte quarenta linhas secas, acaba de chegar. Encontra-se aberta...

A carta, Coração Incendiário, 1998.

Pensar

Preciso saber onde estou aos nove cantando no palco da escola e ninguém saca nada...

Eu que me Destilo, Eu que me Destilo, 1994.
Conceito

Poesia, hoje.

Poesia, hoje. Poesia, desde os tempos que são irrecuperáveis na memória do mundo; poesia, até o futuro impensável da linguagem.

A poesia primeira - a oralidade em volta do fogo, quando encantamento e realidade são o mesmo corpo dentro da noite. Poesia para afugentar os medos, rezar aos deuses, enterrar os mortos.

Depois, a poesia das lendas e dos feitos heróicos - declamados nos mercados e nas praças de armas das vilas e cidades, diante do povo que era feito só de olhos e ouvidos. A poesia dos aedos e dos trovadores românticos.

A poesia brotada na fala espontânea e a poesia cultivada na escrita; que vêm ambas se derramando, se misturando e se reinventando pelos milênios, no jogo e na confluência das línguas.

A poesia casada com os sons da música; dos repentistas e dos rappers. A poesia, que empresta de si a todas as linguagens, colorindo e vitalizando os discursos da retórica.

A poesia nos manuscritos e nos livretos; nos livros parcos e nos preciosos. A poesia bulindo com as gentes, alegrando os sentimentos das ruas. A poesia como um punho fechado e um braço erguido. A poesia, que se vai alastrando nos circuitos digitais da comunicação. A poesia, para alargar o pensamento e afinar as emoções. Poesia, que é dos poetas e de qualquer um.

Poesia, porque é gostoso brincar com as palavras, investigar o celeiro das palavras.

 

France Gripp. Belo Horizonte, 13/04/19.

Casa de Navegação

Casa - espaço de partida e de chegada, enquanto se constrói uma permanência. Abrigo, lugar da intimidade e do pertencimento. Casa - também pode ser um estar em trânsito; como viviam os nômades do passado, e outros tantos no presente.

As telas em rede na internet são como casas em trânsito. A casa em trânsito tem coração e cabeça em corpo que pulsa sobre raízes invisíveis, que vão se estendendo e se recolhendo, se multiplicando em deslocamentos e errâncias, em aproximações e distanciamentos. Essa casa tela percorre o espaço tempo do mundo virtual a navegar como se fosse um navio, ou aeronave.

Híbrido de nau e casa com varanda, ou com terraço de arranha-céu, com ela podemos avistar as praças do mundo, colecionar descobrimentos.  Com a casa tela nau, navegamos todos no oceano digital, intercambiando o pensar, o sentir e o agir; às vezes, contra a maré. Somos internautas; sempre sujeitos ao impulso dos ventos e às tormentas. Enquanto a tecnologia se recria sem cessar.

Esta casa de navegação, aqui, traz a bandeira da literatura, e se propõe compartilhar as experiências de escrita e de leitura literária da autora, como aventuras de autoconhecimento. Sejam bem vindos!

France Gripp. Belo Horizonte, 13/04/19.
Memória

Tive sonhos líquidos. . .

Memória membrana insípida. Mentira melancolia merencória do sopro animal.
Conteúdos

Quis escrever. Quis escrever...

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