A primeira chuva, a primeira
traz o poeta e seus desertos calcinados

os sentidos
queimam

os olhos e os desejos do poeta
lá, onde a areia se derrama
e voluteia, mar sem água
inesgotável
burburinho seco
para suas mãos sem asas.

O ser, esse deserto ilhado
ilha imensa, atônita
fustigada
tormentos e ressacas
vozes
impactos, ondas estrondosas
primeiro e último porto
e naufrágio.

fonte: http://poetasdobrasil.blogspot.com/2010_04_02_archive.html

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